29.9.08

É assim e ponto final

Um olhar, só um olhar pra mim é suficiente. É suficiente pra me fazer amar. Ou querer distância. Lados igualmente opostos e intensos. Comigo é assim, tudo ou nada.


Tudo ou nada. Isso é bom? Ou ruim? Não procuro classificar, analisar ou muito menos equalizar. Procuro simplesmente lidar. Algumas coisas são como são e ponto final.

Tudo ou nada. Isso me faz ser mais exigente. Ser radiante quando as pessoas estão só alegres. Ser muito triste quando o meu redor está simplesmente desanimado. E haja energia. A intensidade desgasta.

Não. Não trocaria caso pudesse escolher. Adoro sentir demais. E ver o mundo mais colorido também.

As vezes gostaria que as pessoas vissem as coisas como consigo ver. Mas não dá. Não daria nem pra escrever aqui.

Ah, e os olhares?
Continuam!
Continuam me desarmando, me despindo. Me levando do céu ao inferno em 5 segundos.

Mas não vou evitá-los. É assim e ponto final.

21.9.08

Quando é grave, sangra.

grave, adj. 1.Sujeito à ação da gravidade. 2.Pesado. 3.Importante, ponderoso. 4.Circunspecto, sério.

Paz, eu quero paz

Já me cansei de ser a última a saber de ti

Quando alguma coisa mexe muito com a gente, a gente diz que tal coisa é "grave". Muita coisa é grave pra mim também.

Se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde

Eu já cansei de imaginar você com ela

Música do Ben Harper. A torre da paulista em frente à FNAC, cheiro de carro antigo, o mês de fevereiro, o trilho de metal da portinha onde guarda panela debaixo da pia. Toalhinhas de crochê. O filme "Minha vida sem mim". E mais várias coisas.

Diz pra mim se vale a pena amor

A gente ria tanto desses nossos desencontros mas você passou do ponto e agora eu já não sei mais

O que é grave traz de lá do fundo sensações que você não quer mais sentir. Faz você lembrar de coisas que não te fazem mais bem.

Eu quero paz

Quero dançar com outro par pra variar amor

O que é grave faz sangrar. Arranca sangue mesmo. Quase que literalmente.

Não dá mais pra fingir que ainda nao vi as cicatrizes que ela fez

Já percebeu como o verbo sangrar é associado à situações graves? Se corta e não sai sangue, não foi fundo o suficiente. Se corta e jorra, "Corre já pro hospital!"

Se dessa vez ela é senhora desse amor

A nossa alma é capaz de sangrar também. Mas nem todo mundo consegue ver o sangue. Talvez porque ele não seja vermelho, nem escorra do lado de fora da pele.

Pois vá embora por favor

Que não demora pra essa dor sangrar

(A outra_Los Hermanos)

17.9.08

Eu tenho uma Amy por dentro!

Outro dia, sem querer, zapeando a TV, peguei ainda no comecinho uma mini biografia da Alanis. Ok, não é segredo que sou fã confessa, assumida, orgulhosa, cantarolante e dona de uma gaita prateada com a parte de plástico vermelha!

Terminei de ver o programa admirando mais ainda a mulé. Simplesmente porque eu pago um PULTA pau pra toda e qualquer pessoa capaz de amar. E quem conhece minimamente a história dela vai entender o que eu estou falando.

Outro momento parecido foi quando assisti os extras do DVD da Amy Winehouse (essa superou tudo e todos!). A parte em que ela, muito timidamente explica em qual contexto compôs "Back to black", terminando com a frase "Você sabe como é sofrer por amor...". Essa cena tinha tudo pra ser o clichê do cluchê. Se não fosse por um olhar melancólico e um suspiro daqueles engasgados, que vêm muito do fundo do peito. Lindo. Foi como se eu pudesse sentir aquele aperto também.

É, minha gente, será mesmo que ninguém ainda entendeu que essa menina sente demais, ama demais? Por isso tá até sem dente, coitada! Pelo amor ninguém passa ilezo!!!

E amar é pra poucos! Muito, muito poucos mesmo!
Um grupo restrito de doidos escolhidos a dedo. Sim, porque só louco mesmo é capaz!

É pra poucos. Isso eu posso garantir!

29.8.08

Fecha a tampa!

Já tentou fechar uma panela transbordando comida? A tampa escorregando de lá pra cá, sem encaixar direito, sensação de desperdício.
E uma panela vazia? Incomoda? Mais? Ou menos que a panela cheia?

Hoje eu tava transbordando coisas. Mas por dentro tinha um eco de panela vazia.

Vai entender...

3.8.08

Another poem to another horse?

Será que mais uma vez não é dessa vez?
Será que mais uma vez entendi tudo errado desde o início, fechando os olhos para o que estava na minha frente, só por querer tanto o final feliz?
Será que mais uma vez vou olhar para trás daqui a um tempo e balançar a cabeça me achando incrivelmente ingênua?
Será que pra sempre vou ter boas idéias sentada na privada ou no ônibus lotado, mas nunca quando realmente estiver esperando por uma?
Será que pra sempre vou achar encantador ter uma ideia brilhante assim sem querer?
Será que pra sempre vou achar que posso mudar alguém, e que essa pessoa realmente quer mudar?
Será que algum dia alguma coisa vai ser capaz de me emocionar mais do que a música?
Será que vai chegar o dia em que eu troque essa mesma música pelo silêncio?
Será que pra sempre uma folha em branco e um lápis vão continuar representando o portal para onde quer que eu queira ir?
Será que pra sempre vou me seduzir por pessoas misteriosas, desejando um dia poder ler seus pensamentos?

Mais quantas pessoas covardes será que ainda vão entrar na minha vida e fazer com que eu perca meu tempo compartilhando idéias?

Será que alguém já sonhou poder ler meus pensamentos?

30.7.08

A porta da frente

Nasci e morei 14 anos numa casa na beira de uma das avenidas mais movimentadas do Tremembé. No pé da serra, mas nem de longe sossegada como a região deveria ser.
Barulho de buzina, de briga de rua no meio da madrugada, de vira-latas revirando o lixo.
E assaltos. Incontáveis vezes essa casa foi assaltada.
Talvez (talvez não, com certeza) por isso trancar a porta de entrada era quase um tique nervoso da família. Especialmente do meu pai. Era dele a função. Era ele quem, antes de ir pra cama, checava cuidadosamente as três trancas.
Na verdade ninguém nem percebia que existia alguém com tal incumbência. Eu menos ainda.

Anos depois mudei de casa. Fui pra uma região muito mais calma. Muito mais segura.
Mas o guardião continuava seu ofício. Menos trancas dessa vez, mas mesmo assim: não existiu um único dia em que ele foi se deitar sem cumprir a tarefa.

Até que um dia eu era a única acordada na casa. Depois de assistir meia dúzia de programas pegos pela metade (em canais escolhidos com a aleatoriedade de quem boceja sem parar às três da madrugada) resolvi subir para o quarto.
Foi então que bati sem querer os olhos na porta da frente e ela estava aberta. Cadeado destrancado e uma única volta na chave, como se fosse uma tardede sábado.

Fiquei alguns segundos parada, olhando, sem ação. Fui até a porta, tranquei. Chequei novamente. Forcei a maçaneta e espiei pela cortina. Aparentemente tudo ok.
Foi exatamente nesse momento que me dei conta que não havia mais guardião. Mesmo já fazendo um tempo da partida.

Desde então não existe uma noite que eu não estale o tal cadeado sem lembrar da época que eu nem sabia que ele existia.

Pá, agora pode deixar comigo!

30.6.08

Três coisas que eu queria ter nesse exato momento:

1. Menos coisa pra fazer;
2. Uma coisa interessante pra contar;
3. Um cachorro preto e branco, vira-lata, com cara de danado chamado Benjamim.

Assim que providenciar alguma delas, volto e conto.